Operação conjunta combate desmatamento ilegal na caatinga

O Ministério Público da Bahia (MPBA) iniciou ontem (9) a Operação ‘Caatinga Resiste’, uma ação nacional de fiscalização ambiental voltada ao enfrentamento do desmatamento ilegal no Bioma Caatinga. A operação segue até o dia 19 deste mês e reúne integrantes de MPs, órgãos ambientais, forças de fiscalização e policiais de nove Estados brasileiros, dentre eles a Bahia.
A iniciativa integra o projeto Caatinga Resiste, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), com participação dos Ministérios Públicos estaduais. As fiscalizações têm como alvo propriedades privadas com áreas desmatadas de forma irregular, sem autorização para a supressão de vegetação.
A operação ocorre em um cenário de alerta para a preservação da Caatinga. Apesar de ter sido registrada uma redução de 9% no desmatamento em 2025, em comparação com o ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma continua entre os mais ameaçados do país. Entre os fatores apontados estão a supressão ilegal de vegetação, o avanço de atividades econômicas sobre áreas sensíveis e a baixa cobertura de unidades de conservação.
Dados do MapBiomas indicam que, entre 1985 e 2023, a Caatinga perdeu cerca de 14,4% de sua cobertura vegetal nativa, o equivalente a aproximadamente 8,6 milhões de hectares de vegetação original. Atualmente, cerca de 59,6% do bioma ainda mantém vegetação nativa, enquanto aproximadamente 38,2% da área já foi convertida para usos como agricultura e pastagens.
Alertas
As ações de fiscalização serão baseadas em alertas de desmatamento identificados por imagens de satélite analisadas pelo projeto MapBiomas. Essas informações são cruzadas com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), o que auxilia na realização de fiscalizações presenciais e remotas pelos órgãos ambientais e forças de segurança.
Além de coibir práticas ilegais, a operação também pretende incentivar melhorias na gestão ambiental nos Estados, ampliar a transparência dos sistemas de controle e estimular a recuperação de áreas degradadas. Ao final da operação, será divulgado um balanço com os resultados das fiscalizações realizadas, incluindo a extensão das áreas autuadas, o número de procedimentos instaurados e os valores de multas aplicadas.
.
Carlos Britto
