“Camisa 11” do PCC tentou subornar profissionais de hospital para se livrar de prisão na Bahia

O traficante é suspeito de envolvimento na morte de um policial militar, o que intensificou as operações contra o tráfico na região  |   Bnews - Divulgação BNEWS TV

Um dos nomes mais procurados do tráfico de drogas na Região Metropolitana de Salvador (RMS) tentou subornar profissionais de saúde para evitar ser identificado durante atendimento médico na capital baiana.

A revelação foi feita pelo secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, em entrevista ao apresentador Zé Eduardo, transmitida simultaneamente pela BNews TV e pela Baiana FM, durante o programa Giro Baiana nesta sexta-feira (10).

O homem é Cristiano Melo dos Santos, o ‘Camisa 11’ ou ‘Tataí’, considerado uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na RMS. O criminoso foi localizado enquanto buscava atendimento no Centro de Ortopedia e Traumatologia (COT), no bairro da Graça, usando documentação falsa.

Segundo Werner, o criminoso  foi localizado enquanto buscava atendimento médico usando documentação falsa. Durante o procedimento, ele teria tentado corromper integrantes da equipe de saúde para manter sua identidade em sigilo.

“Informações que foram passadas pelas equipes de campo é que ele realmente tentou fazer ali a corrupção dos técnicos de enfermagem, da equipe médica, para que não fosse revelada a identidade, que todo o procedimento fosse feito no maior sigilo possível”, afirmou o secretário.

Monitoramento e prisão
De acordo com o titular da Segurança Pública, o suspeito já vinha sendo acompanhado por equipes de inteligência após uma operação anterior. A movimentação até a unidade de saúde levantou suspeitas e levou à confirmação da identidade falsa.

“Ele foi alcançado usando um documento falso, fazendo um atendimento. Como estava sendo feito o acompanhamento pelas equipes de inteligência, identificou-se que ele estava com documentação irregular e foi feita a captura”, detalhou Werner.

Após a abordagem, o homem foi transferido para um hospital público e, em seguida, apresentado à Justiça. Ele já se encontra custodiado no sistema prisional.

Ligação com morte de policial
Durante a entrevista, o secretário também indicou que o suspeito pode ter envolvimento em um dos crimes mais impactantes recentes na segurança pública da Bahia: a morte do cabo da Polícia Militar, Glauber, executado a tiros no bairro de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador, caso que desencadeou uma ofensiva policial e intensificou operações contra o tráfico na capital e na Região Metropolitana.

“Ele é suspeito de participar, infelizmente, da morte do Cabo Glauber. Você sabe o trabalho que a gente tem feito depois desse crime bárbaro, covarde, contra o nosso policial”, disse Werner, ao destacar o avanço das investigações.

Quem é “Camisa 11”
O homem citado pelo secretário é Cristiano Melo dos Santos, conhecido como “Camisa 11” ou “Tataí”. Ele figura entre os principais nomes do tráfico na RMS e integra o chamado “Baralho do Crime” da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ocupando a carta “Dez de Paus”.

Com mandados de prisão por homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de armas, ele é apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital em Dias d’Ávila, com atuação também em Salvador.

As investigações indicam ainda que ele coordenava uma rota interestadual de drogas entre São Paulo e Bahia, exercendo a função conhecida como “Sintonia dos Estados” dentro da facção — responsável pelo abastecimento de pontos de venda em diversos municípios.

Rede criminosa e conexões
Cristiano também é apontado como aliado de Genilson Lima da Silva, o “Perna”, outro nome de peso no crime organizado baiano. A atuação conjunta dos dois reforça o nível de articulação da organização criminosa na região.

Ao comentar a prisão, Werner destacou o trabalho contínuo das forças de segurança:

“Nós temos diversas operações em andamento, diversas ações de inteligência. Ao longo desses anos, temos conseguido alcançar lideranças importantes e enfraquecer essas organizações”, afirmou.

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