Bahia concentra 32 foragidos por feminicídio e aparece entre os estados com mais casos no país

Um levantamento nacional revelou que 336 homens com mandados de prisão por crimes de feminicídio seguem foragidos no Brasil em 2026, mesmo após o país registrar um recorde de assassinatos de mulheres em 2025. Entre os estados, a Bahia aparece com 32 casos, ocupando a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo.

Todos os nomes incluídos no levantamento são alvos de mandados de prisão em aberto, expedidos pela Justiça e ainda não cumpridos. A maior parte das ordens se refere a prisões preventivas, modalidade aplicada quando o suspeito já foi identificado e deve ser preso durante o andamento do processo judicial.

Em 19 situações, os acusados já foram condenados com sentença transitada em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recurso, restando apenas o cumprimento da pena. Mesmo assim, esses indivíduos continuam em liberdade.

Os estados com maior número de foragidos por feminicídio são:

São Paulo: 108 casos
Bahia: 32
Maranhão: 28
Pará: 27
De acordo com os dados, os 336 mandados em aberto estão distribuídos da seguinte forma:

260 mandados de prisão preventiva, quando o autor do crime já foi identificado e deve ser preso ao longo do processo;
28 ordens de recaptura;
19 mandados decorrentes de condenação transitada em julgado, sem possibilidade de recurso;
13 mandados de prisão temporária, utilizados durante a fase investigativa, quando a autoria ainda está sendo apurada;
11 prisões preventivas decretadas após condenação em primeira instância, ainda passíveis de recurso;
5 mandados de prisão definitiva, quando há condenação, mas o processo ainda pode estar sob análise recursal.
O cenário se insere em um contexto de crescimento da violência contra a mulher no país. Em 2025, o Brasil contabilizou 1.530 vítimas de feminicídio, o maior número já registrado, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.

Diante desse quadro, foi lançado nesta quarta-feira (4), em Brasília, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que reúne representantes do Executivo, do Congresso Nacional e do Judiciário. O pacto tem como foco ações de prevenção da violência, proteção das vítimas, responsabilização dos agressores e garantia de direitos às mulheres em situação de violência de gênero.

O levantamento foi elaborado pelo g1, com base em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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G1 e CNJ Foto Agencia Brasil