JULGAMENTO: Marido é acusado de obrigar esposa a se prostituir para 120 homens
Homem de 62 anos responde por estupro e exploração sexual agravada

Um homem de 62 anos começou a ser julgado nesta sexta-feira na Suécia acusado de explorar sexualmente a própria esposa ao longo de vários anos, obrigando-a, segundo a acusação, a manter relações pagas com aproximadamente 120 homens. Ele responde por crimes como exploração sexual agravada, estupro e agressões, mas nega todas as acusações.
O caso tem gerado grande repercussão no país e passou a ser comparado por parte da opinião pública ao episódio envolvendo Dominique Pelicot, condenado em 2024 na França após drogar a esposa, Gisèle Pelicot, e permitir que dezenas de homens a violentassem durante anos.
De acordo com a promotoria, o réu – apontado como ex-integrante da gangue de motociclistas Hell’s Angels – teria atuado diretamente na organização dos encontros com clientes, incluindo a publicação de anúncios na internet e o acompanhamento das atividades da companheira. O promotor classificou a conduta como uma “exploração implacável”.
A investigação aponta que ele lucrava com os encontros e monitorava a rotina da mulher, que estava em situação de vulnerabilidade. Segundo o processo, também houve episódios em que ela teria sido obrigada a praticar atos sexuais sozinha diante de câmeras para divulgação online.
Entre as acusações apresentadas estão oito casos de estupro, quatro tentativas de estupro, quatro agressões e exploração sexual agravada. Um dos episódios citados envolve a participação de um cliente.
O julgamento ocorre no tribunal distrital de Angermanland e trata de fatos que teriam ocorrido entre agosto de 2022 e outubro de 2025. O homem foi preso em outubro do ano passado após a própria esposa procurar a polícia no norte do país.
Vítima impôs limites, diz promotora
Segundo a promotora Ida Annerstedt, ouvida pela Agence France-Presse (AFP), a mulher chegou a aceitar parcialmente a prostituição, mas havia estabelecido restrições claras.
“Ela havia estabelecido certos limites. Quando ele não os respeitou, quando a agrediu fisicamente depois que ela disse ‘não’, essas são situações que configuram acusações de tentativa de estupro ou estupro”, explicou.
Ainda conforme a promotora, quase 120 homens são suspeitos de terem comprado serviços sexuais da vítima. A imprensa sueca informou que 26 deles já foram formalmente acusados, embora o julgamento iniciado nesta sexta trate exclusivamente da atuação do marido.
A defesa sustenta que não houve coerção. A advogada Martina Michaelsdotter afirmou à AFP que o cliente dela reconhece participação parcial na atividade exercida pela esposa, mas nega ter exercido controle ou violência.
“Ele admite ter participado, em certa medida, da atividade da denunciante”, declarou. Segundo ela, o acusado afirma que “não a facilitou” e que não houve pressão nem agressões. “Ele prestou auxílio em questões técnicas e administrativas”, disse.
Na Suécia, a legislação pune a compra de serviços sexuais e também criminaliza quem intermedeia esse tipo de atividade, embora a venda em si não seja considerada crime.
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