Quase 30% das mortes por influenza no Brasil em 2026 foram registradas nas últimas 2 semana
Até maio deste ano, 506 mortes associadas aos vírus Influenza A e B foram registradas no país
Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Quinhentas e seis mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associadas aos vírus Influenza A e B foram registradas no Brasil de janeiro a maio deste ano, segundo dados do Ministério da Saúde.
Desse total, 136 mortes, ou 27% do total, foram confirmadas apenas nas duas últimas semanas. Isso não significa, necessariamente, que os óbitos ocorreram nesse período, mas que tiveram a causa identificada recentemente. No mesmo período de 2025, entre janeiro e maio, o país registrou 776 mortes por SRAG associadas à influenza.
Especialistas alertam, no entanto, que o número de óbitos relacionados ao vírus pode ser ainda maior. Isso porque 1.344 mortes por SRAG registradas neste ano não tiveram o agente causador identificado — além da influenza, a síndrome respiratória aguda grave também pode ser provocada por vírus como covid-19, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).
Os números indicam também aumento no total de casos em relação ao ano passado. Em 2026, o Brasil já registrou até agora 7.749 casos de SRAG por influenza, sendo 256 pelo vírus H1N1, 1.903 por H3N2, 4.892 por Influenza A não subtipada e 698 por Influenza B. Em 2025, de janeiro a maio, haviam sido registrados 6.250 casos.
No sábado (30), Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe foi concluída com número bem abaixo da meta: apenas de 38,5% do publico-alvo (crianças com menos de seis anos, idosos e gestantes) foi vacinado. A meta era vacinar 90% —uma cobertura vacinal não alcançada pelo Brasil desde 2021.
Médicos entrevistados pela BBC News Brasil afirmam que o aumento de casos nesta época do ano é esperado devido à sazonalidade dos vírus respiratórios, comum durante o outono e o inverno.
O clima mais seco e as temperaturas mais baixas favorecem a transmissão porque as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados e as vias respiratórias ficam mais vulneráveis.
Neste ano, contudo, houve uma antecipação da sazonalidade da gripe em algumas regiões do país, o que contribuiu para a ocorrência de casos graves e o aumento de internações nas últimas semanas.
A antecipação da sazonalidade viral é um fenômeno que pode ser influenciado por diversos fatores, entre eles mudanças abruptas do clima, baixa imunidade da população e maior circulação de pessoas — fazendo com que o vírus circule mais.
Isso pode dar a impressão de que a gripe está “mais forte” este ano, mas, segundo especialistas, não há evidências de que o vírus tenha se tornado mais letal.
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FONTE: BBC News Brasil
