Caso do motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano tem novo capítulo na Justiça
Defesa do motorista tentou reverter uma decisão do processo em que ele pede R$ 13 milhões de recompensa após devolver integralmente a transferência milionária recebida por engano
Caso do motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano tem novo capítulo na Justiça Crédito: Reprodução/TV Anhanguera
O processo movido pelo motorista Antônio Pereira do Nascimento, que ganhou repercussão nacional após receber por engano uma transferência de R$ 131.870.227 e devolver integralmente o valor horas depois, teve um novo desdobramento na Justiça. A 6ª Vara Cível de Palmas decidiu não analisar um pedido apresentado pela defesa do motorista, mantendo a ação sem previsão de julgamento.
A decisão, publicada em 8 de julho, determinou o “não conhecimento dos embargos de declaração” protocolados pelos advogados de Antônio. Na prática, isso significa que o recurso nem chegou a ser analisado pelo juiz por não atender aos requisitos legais. Os embargos de declaração são um instrumento processual utilizado para solicitar esclarecimentos ou a correção de pontos considerados omissos, contraditórios ou obscuros em uma decisão judicial.
O recurso foi apresentado após uma decisão tomada em março deste ano, quando o magistrado dispensou a oitiva das testemunhas indicadas no processo por entender que as provas documentais já eram suficientes para o andamento da ação. Procurada pelo g1, a defesa de Antônio não se manifestou.
Motorista cobra recompensa de R$ 13 milhões
O caso teve início em junho de 2023, quando Antônio recebeu, por engano, uma transferência de R$ 131,8 milhões em sua conta bancária. O dinheiro permaneceu sob sua posse por cerca de sete horas antes de ser integralmente devolvido. No ano seguinte, o motorista entrou com uma ação contra o Bradesco pedindo uma recompensa correspondente a 10% do valor devolvido, o equivalente a aproximadamente R$ 13 milhões.
Além da recompensa, ele também solicita indenização por danos morais. Segundo Antônio, após o episódio sofreu pressão psicológica por parte do gerente do banco e teve sua conta enquadrada como categoria VIP, situação que teria gerado cobranças bancárias indevidas. Até o momento, esses pedidos ainda não foram julgados.
“Estou do mesmo jeito”
Enquanto aguarda a decisão da Justiça, Antônio afirma que continua levando a mesma vida de antes do episódio que chamou atenção em todo o país. Em entrevista ao g1, ele contou que, caso obtenha uma decisão favorável, pretende investir na própria atividade profissional.
“Eu ia reformar minha casa, comprar uma van para mim, que eu trabalho como motorista. Eu estava sem van. Isso podia ter sido comprado, mas eu não comprei. Eu podia ter comprado e depois pagaria a van. Só assim eu compraria: primeiro a van, depois pagaria. Mas não comprei. Não fiz isso”, afirmou.
O motorista também disse que a decisão de devolver imediatamente o dinheiro não trouxe qualquer mudança em sua situação financeira. “Estou do mesmo jeito, trabalhando para comer. Eu devolvi o dinheiro e não vi dinheiro nenhum lá”, desabafou. Procurado pelo g1, o Bradesco informou que não comenta processos judiciais em andamento.
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