Doméstica que trabalhou 55 anos sem salário passou por três gerações da mesma família

Mesmo após denúncia, mulher segue na casa dos empregadores

Crime ocorria em residencial de luxo Crédito: Reprodução / Fantástico

empregada doméstica de 62 anos que passou 55 anos trabalhando sem receber salário em uma residência de um condomínio de alto padrão em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, começou a trabalhar para a família aos 7 anos de idade e permaneceu no local ao longo de, pelo menos, três gerações dos empregadores.

O caso veio à tona após uma denúncia anônima e passou a ser investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Apesar da operação de resgate, a mulher ainda permanece na residência porque, segundo as autoridades, não possui autonomia financeira nem emocional para deixar imediatamente o local. A saída será realizada de forma gradual, com acompanhamento da rede de assistência social.

Em entrevista ao programa Fantástico, a antropóloga Vera Rodrigues afirmou que a situação evidencia um ciclo de exploração que atravessou gerações.

“O caso de que nós estamos falando agora é de uma pessoa que passou, no mínimo, três gerações na mesma situação. Cinquenta anos da vida comprometidos e só agora, por meio de uma denúncia anônima, houve uma ação de proteção social do Estado”, afirmou.

Após as investigações, o Ministério Público do Trabalho e a família firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Pelo acordo, os empregadores deverão pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias, comprar uma casa para a trabalhadora, no valor mínimo de R$ 150 mil, equipada com móveis e eletrodomésticos, além de regularizar os direitos previdenciários da vítima.

O advogado da família reconheceu que a empregada nunca teve carteira assinada nem recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas negou que ela tenha vivido em condições análogas à escravidão. O caso segue sendo acompanhado pelos órgãos responsáveis.

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