Nordeste fortalece cooperação com a China para enfrentar a desertificação e mecanizar agricultura

O Consórcio Nordeste deu início à missão oficial à República Popular da China, que ocorre entre 29 de agosto e 4 de setembro, com visitas ao Deserto de Kubuqi e à Universidade Agrícola da China (CAU), e reunião com o Banco Mundial.

A agenda institucional tem como objetivo estreitar as relações com o país asiático e consolidar uma plataforma permanente de trabalho com órgãos governamentais, bancos de desenvolvimento e centros de pesquisa chineses.

“Nós consideramos a China uma parceira estratégica para impulsionar a transição ecológica no Nordeste e esta viagem tem como foco transformar interesses comuns em programas permanentes de colaboração, com transferência de tecnologia e atração de investimentos voltados à restauração da Caatinga, segurança hídrica e alimentar, indústria verde e bioeconomia”, ressaltou Carlos Gabas, secretário executivo do Consórcio Nordeste.

A delegação nordestina, que é formada por gestores e corpo técnico do Consórcio Nordeste e dos governos da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, dirigentes do Banco do Brasil, representante do ICLEI América do Sul e integrantes da Embaixada do Brasil, foi recebida na segunda-feira (31) na Universidade Agrícola da China (CAU), em Pequim, pela professora Yang Minli e pelo secretário-geral da Associação das Indústrias de Maquinário Agrícola da China (CAAMM), Wang Fengde.

Yang Munli preside o Instituto Internacional de Inovação em Equipamentos Agrícolas e Agricultura Inteligente “Cinturão e Rota” e comanda o Centro de Pesquisa em Mecanização Agrícola da China, responsável pela coordenação do projeto de mecanização da agricultura familiar no Nordeste. Fruto de um Acordo de Entendimento (MoU) firmado em 2022 entre o Consórcio e a universidade, o projeto tem viabilizado a adaptação de máquinas chinesas de pequeno porte às condições do Semiárido, com experimentação em território nordestino
e pesquisa aplicada.

Durante a reunião, o Consórcio propôs converter a cooperação em um programa de caráter permanente voltado à troca de saberes, ao repasse de tecnologias e à produção de equipamentos em solo nordestino. Foi ressaltado também que a região conta com uma estrutura de governança, como o Programa de Produção e Consumo de Alimentos Saudáveis PAS-Nordeste e o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, os quais estão aptos a absorver iniciativas e ampliar sua escala.

“O Nordeste tem quase a metade da agricultura familiar brasileira e apenas 1,3% dela é mecanizada. Nosso desafio é muito grande! E a experiência chinesa na produção desses equipamentos e maquinário irá nos ajudar muito no desenvolvimento da atividade agrícola na região. Trazendo benefícios não só para o Nordeste, mas para todo o Brasil”, afirmou Gabas.

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Ascom Consorcio Nordeste Foto divulgação